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Futuros, opções e alavancagem em cripto: como calcular e pagar o imposto?

Saiba como calcular o imposto sobre futuros, opções e operações alavancadas em cripto, converter pela PTAX e gerar o DARF passo a passo.

Futuros, opções e alavancagem em cripto: como calcular e pagar o imposto?

Contadora Cripto

Conteúdo informativo. Não substitui orientação contábil individual.


Quem opera futuros, opções ou alavancagem em cripto precisa apurar e recolher imposto sobre cada ganho líquido, mesmo que o dinheiro nunca tenha saído da corretora. A Receita Federal enxerga essas operações como alienação de criptoativos, e o contribuinte é responsável por calcular o resultado, converter valores em reais pela cotação PTAX e emitir o DARF dentro do prazo. Este guia reúne, num só lugar, as regras para os três instrumentos (futuros, opções e margem), a conversão cambial passo a passo e os erros que mais geram malha fina.

Por que derivativos cripto são tributáveis

A Receita Federal trata criptoativos como bens sujeitos a ganho de capital, conforme a Instrução Normativa RFB 2.291/2025, que criou a DeCripto e vale desde 01/07/2026 (a IN RFB 1.888/2019 valeu até junho de 2026). Quando você abre e fecha uma posição em um contrato futuro, exerce ou é exercido em uma opção, ou encerra uma operação alavancada com lucro, existe alienação para fins fiscais. Não importa se o resultado ficou em USDT dentro da exchange: o fato gerador é o encerramento da posição com ganho.

Para operações realizadas em exchanges sediadas no exterior, a Lei 14.754/2023 trouxe mudança relevante a partir de janeiro de 2024. Rendimentos de aplicações financeiras no exterior (incluindo cripto) passaram a ser tributados à alíquota fixa de 15%, apurados anualmente na declaração de ajuste. Já operações em plataformas nacionais continuam seguindo a tabela progressiva de ganho de capital (15% até R$ 5 milhões, 17,5% até R$ 10 milhões, 20% até R$ 30 milhões e 22,5% acima disso), com apuração mensal.

Como apurar o ganho em futuros, opções e margem

Cada instrumento tem particularidades no cálculo, mas a lógica central é a mesma: resultado líquido igual ao valor de saída menos o custo de entrada, descontadas as taxas da plataforma.

Futuros (contratos perpétuos e com vencimento)

  • O ganho ou prejuízo se apura no momento da liquidação (encerramento da posição), e não na abertura.
  • Se você abriu long a US$ 60.000 e fechou a US$ 65.000, o ganho bruto é US$ 5.000 por contrato. Desconte as taxas de abertura, fechamento e funding.
  • Prejuízos podem ser compensados com ganhos da mesma natureza (criptoativos) nos meses seguintes, desde que devidamente registrados.

Opções (calls e puts)

  • Quem compra uma opção paga um prêmio. Esse prêmio integra o custo de aquisição.
  • Se a opção for exercida, o custo total é o preço de exercício (strike) somado ao prêmio pago, mais taxas.
  • Se a opção expirar sem valor, o prêmio pago é prejuízo realizável, compensável com ganhos futuros em cripto.
  • Para o lançador (quem vende a opção), o prêmio recebido é receita no momento do recebimento. Se a opção for exercida contra ele, o prêmio recebido reduz o custo ou aumenta o ganho, conforme o caso.

Operações alavancadas (margem)

  • A alavancagem não cria um fato gerador diferente. O que muda é o tamanho da posição em relação ao capital depositado.
  • Se você depositou US$ 1.000 como margem e operou uma posição de US$ 10.000 (10x), o ganho ou perda é calculado sobre os US$ 10.000, não sobre os US$ 1.000.
  • Liquidações forçadas (margin calls) também geram fato gerador: o prejuízo apurado no momento da liquidação é dedutível.

Conversão pela PTAX: o passo a passo

Operações realizadas em dólar (ou qualquer moeda estrangeira) precisam ser convertidas para reais. A Receita Federal exige a utilização da cotação PTAX de venda, divulgada pelo Banco Central, referente ao dia útil anterior à data da operação.

  1. Identifique a data exata de encerramento (liquidação) da posição no extrato da exchange.
  2. Acesse o site do Banco Central (bcb.gov.br), seção “Cotações e boletins”, e consulte a PTAX de venda do dia útil imediatamente anterior.
  3. Multiplique o resultado em dólar pela PTAX obtida. Exemplo: ganho de US$ 2.000, PTAX de venda de R$ 5,10, ganho em reais de R$ 10.200.
  4. Repita a conversão para cada operação encerrada no mês (no regime mensal) ou consolide ao final do ano (no regime anual da Lei 14.754/2023, para exchanges estrangeiras).
  5. Utilize o mesmo procedimento para converter o custo de aquisição originalmente em dólar, aplicando a PTAX da data de abertura da posição.

Atenção: se a exchange exibe valores em USDT ou outro stablecoin, você ainda precisa converter para dólar americano (geralmente 1:1, mas verifique) e depois aplicar a PTAX. A Receita não aceita cotação de stablecoin como substituta do câmbio oficial.

Imposto sobre futuros, opções e cripto: como recolher

O caminho de recolhimento depende de onde a operação foi realizada.

Exchange nacional (apuração mensal)

  • Calcule o ganho líquido total do mês em todas as operações com criptoativos.
  • Verifique se o total de alienações no mês ficou abaixo de R$ 35.000. Essa isenção, prevista na IN RFB 2.164/2023, vale para alienações em exchanges nacionais, mas há discussão sobre sua aplicabilidade a derivativos (a norma fala em “alienação de criptoativos”, e nem todo derivativo se encaixa com clareza). Na dúvida, consulte um contador antes de aplicar a isenção a futuros e opções.
  • Se houver imposto devido, gere o DARF com código 4600 (ganho de capital em criptoativos) via programa GCAP ou Sicalc, com vencimento até o último dia útil do mês seguinte ao da operação.

Exchange estrangeira (regime da Lei 14.754/2023)

  • A partir de 2024, o ganho é apurado anualmente e declarado no ajuste anual do Imposto de Renda.
  • Alíquota fixa de 15% sobre o rendimento líquido do ano.
  • A isenção de R$ 35.000 mensais não se aplica a operações no exterior.
  • Prejuízos no exterior podem ser compensados com outros rendimentos de aplicações financeiras no exterior dentro do mesmo ano.

Erros comuns e como evitar multa

  • Ignorar a posição encerrada em stablecoin. Trocar o lucro de um futuro por USDT dentro da exchange é encerramento de posição. Não espere o saque para o banco.
  • Usar cotação errada. A PTAX deve ser a de venda do dia útil anterior, e não a cotação do Google ou a taxa da exchange.
  • Não declarar prejuízo. Prejuízo não declarado é prejuízo perdido. Registre para compensar no futuro.
  • Misturar regimes. Ganho em exchange nacional vai no GCAP mensal. Ganho em exchange estrangeira vai no ajuste anual, conforme a Lei 14.754/2023. Misturar os dois gera inconsistência na declaração.
  • Esquecer a obrigação acessória. Desde 01/07/2026, a IN RFB 2.291/2025 criou a DeCripto. A pessoa física entrega a declaração todo mês quando opera em corretora no exterior, de forma descentralizada ou sem intermediária e as operações do mês passam de R$ 35.000. A corretora brasileira informa por você.

A multa por atraso no DARF é de 0,33% ao dia sobre o imposto devido, limitada a 20%, mais juros Selic. A falta de entrega das obrigações acessórias pode gerar multa a partir de R$ 100 por mês de atraso.

O que fazer agora

Se você operou futuros, opções ou alavancagem em cripto em 2026, levante os extratos de todas as exchanges (nacionais e estrangeiras), identifique cada posição encerrada, converta pela PTAX conforme o passo a passo acima e apure o resultado mês a mês. Para operações no exterior, consolide o resultado anual. Gere os DARFs pendentes com os acréscimos legais se houver atraso. E registre, inclusive, as operações com prejuízo: elas reduzem o imposto dos meses ou anos seguintes.

Perguntas frequentes

A isenção de R$ 35.000 por mês vale para futuros e opções em cripto?

A isenção prevista na IN RFB 2.164/2023 aplica-se a alienações de criptoativos em exchanges nacionais. Sua aplicabilidade a derivativos (futuros e opções) não é pacífica. Recomenda-se consultar um contador antes de utilizá-la nessas operações.

Qual PTAX usar para converter o ganho de um contrato futuro em dólar?

A PTAX de venda divulgada pelo Banco Central referente ao dia útil anterior à data de liquidação (encerramento) da posição. Consulte no site bcb.gov.br.

Posso compensar prejuízo em opções de cripto com ganho em futuros de cripto?

Sim. Prejuízos com criptoativos podem ser compensados com ganhos de mesma natureza em meses ou anos seguintes, desde que estejam devidamente declarados. Para operações no exterior sob a Lei 14.754/2023, a compensação ocorre dentro do mesmo ano-calendário, com rendimentos de aplicações financeiras no exterior.

Se minha posição alavancada foi liquidada pela exchange, preciso declarar?

Sim. A liquidação forçada (margin call) encerra a posição e gera prejuízo apurado. Declare o resultado para poder compensá-lo com ganhos futuros.

Conteúdo informativo. Para o seu caso concreto, consulte um contador.

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Por Julia Santos

Contadora registrada (CRC ativo) e certificada em Ativos Virtuais (CEAV) pela ABcripto. Especialista em tributacao de criptoativos, ajuda investidores, traders e empresas a declarar, regularizar e proteger o patrimonio dentro da lei. Sobre a autora.

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