Regulação

MP 1.303 Caiu: a Isenção Imposto Criptomoedas de R$ 35 mil Continua em 2026?

MP 1.303 Caiu: a Isenção Imposto Criptomoedas de R$ 35 mil Continua em 2026?

Atualizado em 30/09/2026

Nota de atualização (30/09/2026): desde 1º de julho de 2026, a IN RFB 1.888/2019 está revogada e a obrigação de informar operações com cripto passou para a DeCripto (IN RFB 2.291/2025). As corretoras que atuam no Brasil informam as operações dos clientes, e a pessoa física só entrega a própria declaração quando opera por corretora no exterior, por plataforma descentralizada ou sem intermediária e as operações do mês passam de R$ 35.000. Entenda no guia completo da DeCripto.
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MP 1.303 Caiu: a Isenção Imposto Criptomoedas de R$ 35 mil Continua em 2026?

A queda da Medida Provisória 1.303 gerou muita dúvida entre investidores e empresas que operam com ativos digitais, mas a boa notícia é que a isenção imposto criptomoedas para vendas de até R$ 35 mil por mês segue plenamente válida em 2026. O que mudou, o que permanece e quais os riscos de não entender essa distinção corretamente: é exatamente isso que vamos esclarecer neste artigo.

O Que Era a MP 1.303 e Por Que Ela Caiu

A Medida Provisória 1.303, de 11 de junho de 2025, tratava da tributação de aplicações financeiras e de ativos virtuais no País. Para os criptoativos, o texto previa alíquota de 17,5% para pessoas físicas, com apuração trimestral (art. 31), e revogava o art. 22 da Lei 9.250/1995, que sustenta a isenção mensal de R$ 35 mil (art. 74). O Planalto registra a medida com vigência encerrada.

O problema foi político e técnico ao mesmo tempo. A MP não foi votada pelo Congresso dentro do prazo constitucional de 120 dias, o que provocou a sua caducidade automática. Sem apreciação parlamentar, a medida perdeu eficácia e deixou de produzir efeitos jurídicos.

Essa queda, no entanto, não revogou a legislação tributária já consolidada sobre criptomoedas no Brasil. As regras que vinham sendo aplicadas antes da MP continuam em vigor, incluindo a isenção para ganhos abaixo do limite mensal.

A Isenção de R$ 35 Mil: O Que a Lei Diz

A isenção sobre ganhos com criptomoedas não nasceu da MP 1.303. Ela vem do art. 22, inciso II, da Lei 9.250/1995, que isenta o ganho na alienação de bens de pequeno valor até R$ 35.000 no mês, e a Receita explica como aplicá-la à cripto na pergunta 653 do Perguntas e Respostas IRPF 2026: vale para criptoativos custodiados ou negociados no Brasil e considera o total alienado no mês, somando todos os tipos.

A regra funciona assim:

  • Se você vendeu criptoativos em um único mês e o total das alienações ficou abaixo de R$ 35.000,00, o ganho de capital obtido nessas operações é isento de IR.
  • Se o total das vendas no mês ultrapassar R$ 35 mil, todo o ganho apurado naquele mês passa a ser tributável, ainda que a maioria das operações fosse pequena.
  • A isenção se aplica apenas a pessoas físicas e exige que as operações ocorram em exchanges brasileiras ou com reporte correto ao Fisco.

Esse limite de R$ 35 mil é o mesmo aplicado a ações na bolsa de valores, por analogia regulatória, e é anterior a qualquer MP recente.

Confira a análise detalhada publicada pelo Declarando Bitcoin sobre a queda da MP 1.303 para entender o contexto jurídico completo do episódio.

O Que Muda na Prática Para Quem Investe em Cripto em 2026

Com a queda da MP, o cenário regulatório fica temporariamente mais simples para o investidor pessoa física, mas isso não significa ausência de obrigações. Veja os principais pontos:

Operações em Exchanges Brasileiras

Para quem opera em plataformas nacionais como Mercado Bitcoin, Foxbit ou Bitso Brasil, nada muda. A isenção de R$ 35 mil mensal continua sendo o divisor de águas entre operação isenta e operação tributável.

Operações em Exchanges Estrangeiras

Aqui está o ponto de maior atenção. Cripto custodiada ou negociada por instituição no exterior é aplicação financeira no exterior pela Lei 14.754/2023, em vigor desde 2024: o ganho vai para a declaração anual, com alíquota de 15%, e, segundo a Receita, não há previsão legal de isenção (pergunta 653 do Perguntas e Respostas IRPF 2026). A isenção de R$ 35 mil não se aplica a essas operações.

Day Trade e Operações de Alta Frequência

Para a pessoa física, não existe um regime próprio de day trade para cripto como existe para ações na bolsa. Mesmo operando no mesmo dia, o resultado segue as regras de ganho de capital: isenção quando o total vendido no mês fica em até R$ 35.000 e alíquotas de 15% a 22,5% acima disso (pergunta 653 do Perguntas e Respostas IRPF 2026). Veja o guia de imposto no day trade de cripto.

Obrigação de Declaração Permanece

Mesmo que o ganho seja isento, a obrigação de declarar as criptomoedas na ficha de Bens e Direitos do IRPF permanece para quem detém valores acima de R$ 5.000,00 em ativos digitais. Isenção de imposto não é o mesmo que isenção de declaração.

Contexto Regulatório: O Avanço da Legislação Cripto no Brasil

O Brasil vem construindo um arcabouço regulatório para criptoativos de forma progressiva. A Lei 14.478/2022, conhecida como o marco legal das criptomoedas, estabeleceu diretrizes gerais e delegou ao Banco Central e à CVM a regulamentação do setor. O Banco Central, por sua vez, iniciou o processo de licenciamento de Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs), criando um ecossistema mais formalizado.

A Receita Federal também avançou com a IN 1.888, que tornou obrigatória a prestação de informações por exchanges e pelos próprios contribuintes. Esse contexto é relevante porque mostra que a tributação de criptomoedas no Brasil é estrutural e crescente, não dependente de uma única medida provisória.

Empresas que operam com criptoativos como meio de pagamento, que fazem tesouraria em stablecoins ou que remuneram colaboradores com tokens precisam estar atentas a esse arcabouço. A queda de uma MP não cria um vácuo regulatório: ela apenas devolve o status quo anterior.

Cuidados Essenciais Para Não Errar na Apuração

Para garantir que você está aproveitando a isenção de forma correta e sem riscos, preste atenção a estas boas práticas:

1. Some todas as alienações do mês, não apenas uma operação isolada. O limite de R$ 35 mil é sobre o total de vendas, não sobre o lucro.

2. Mantenha histórico de custo de aquisição de cada ativo. Sem esse dado, fica impossível calcular o ganho de capital corretamente.

3. Use o GCAP (programa de Ganhos de Capital da Receita Federal) para apurar e emitir o DARF quando ultrapassar o limite.

4. Não confunda isenção com não tributação. Há diferença entre um ganho isento e um ganho não declarado, sendo o segundo potencialmente caracterizado como omissão de renda.

5. Operações entre criptomoedas (por exemplo, trocar BTC por ETH) também configuram alienação e entram no cálculo mensal.

6. Guarde extratos e comprovantes de todas as operações, inclusive de exchanges estrangeiras, para eventual fiscalização.

Perguntas Frequentes

A isenção imposto criptomoedas de R$ 35 mil vale para qualquer exchange?

Para cripto custodiada ou negociada no Brasil, sim. Para corretoras estrangeiras, não: essas operações seguem a Lei 14.754/2023, com apuração anual e alíquota de 15% na declaração de ajuste, sem a isenção mensal.

Se eu vendi R$ 34.999 em cripto e tive lucro de R$ 10.000, preciso pagar IR?

Não, desde que o total de alienações no mês tenha ficado abaixo de R$ 35.000,00. O ganho de capital obtido nessas operações é isento. Mas você ainda pode precisar declarar os ativos na ficha de Bens e Direitos se o valor detido superar R$ 5.000,00.

Empresas também têm direito à isenção de R$ 35 mil?

Não. A isenção de R$ 35 mil é exclusiva para pessoas físicas. Empresas que operam com criptoativos seguem as regras do Lucro Real, Lucro Presumido ou Simples Nacional, conforme o regime tributário adotado, e os ganhos com ativos digitais integram o resultado contábil e fiscal da pessoa jurídica normalmente.

Conclusão: Isenção Garantida, Mas Planejamento é Indispensável

A queda da MP 1.303 trouxe alívio para quem temia uma mudança abrupta nas regras tributárias de criptomoedas, mas não deve ser lida como um sinal de que o Fisco está recuando. A tendência regulatória no Brasil é de maior controle, maior transparência e maior tributação sobre o mercado de ativos digitais, seja por via de novas MPs, projetos de lei ou instruções normativas da Receita Federal.

A isenção imposto criptomoedas de R$ 35 mil continua sendo uma ferramenta valiosa de planejamento tributário para o investidor pessoa física, mas exige conhecimento técnico para ser utilizada corretamente. Um erro na apuração pode transformar um ganho isento em uma autuação com multa e juros.

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Fontes oficiais

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Por Julia Santos

Contadora registrada (CRC ativo) e certificada em Ativos Virtuais (CEAV) pela ABcripto. Especialista em tributacao de criptoativos, ajuda investidores, traders e empresas a declarar, regularizar e proteger o patrimonio dentro da lei. Sobre a autora.

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